sexta-feira, 18 de abril de 2008

Preconceito nos lápis de cor

Leiam e reflitam sobre esta história,  a fim de não cometerem este erro. Vejam como uma simples indicação de lápis de cor, pode caracterizar-se como uma atitude de preconceito.

Gostaria de contar-lhes a seguinte história: Quando meu filho ingressou na escola de educação infantil, chegou aqui em casa certo dia dizendo que queria ser 'cor de pele'. Gostaria de informar que somos negros. Meu marido é branco. Nosso filho, mestiço. 

Não conseguimos entender o desejo dele, pois ele já era cor de pele - foi o que respondi. 'Filho, você é cor de pele. Cor de pele negra'. Esse tema rondou a casa por semanas até que um dia fui à escola descobrir o que estava havendo. 

E, para minha surpresa, o fato era uma mistura de incompetência para a diversidade brasileira vinda da própria professora e, muito fortemente, saída também da Faber-Castell, que tem na sua caixa de lápis de 36 cores uma cor chamada PELE. Que cor é essa? Um salmão, rosa-claro, rosinha a que o fabricante denomina PELE. 

Pele de quem, me pergunto? Pele branca, é claro. Não seria legítimo em um país de maioria negra que houvesse também uma cor na caixa de lápis para quem não tem pele branca? 

Ressalto que, sim, embora as estatísticas camuflem esse dado, o Brasil é um país de maioria negra. E posso informar bibliografia consistente sobre o assunto, se necessário. Ou insiram uma nova cor, que contemple a pele negra, ou mudem o nome dessa, por favor. 

Meu filho está com sete anos agora e já faz tempo que sabe que 'marronzinho' é a cor usada para representá-lo, como ele mesmo dizia. Mas entendeu nesse exato momento em que quis ser 'cor de pele' que vocês o submeteram a um preconceito disfarçado. Camuflado em uma caixa de lápis que vemos nas propagandas cantantes, coloridas, sorridentes da marca. O fato é que desde essa época - e faz tempo! tento por este canal, sem sucesso, um contato com a Faber-Castell. 

O fato é que semana passada, fazendo uma compra pude ver que a cor PELE continua na caixa de lápis fabricada por vocês. Quero uma resposta e providências em uma semana, por favor. Porque hoje acordei cansada de ser ignorada. Aproveito para informar que, desta vez, usarei todos os recursos necessários para que minha reclamação atinja os canais destinados a ela, bem como instituições que se preocupam com a questão no Brasil. 

Atenciosamente, muito atenciosamente, 

Denise Camargo.

4 comentários:

Sandra Catarina Martins disse...

Olá querida
Que ótima reflexão.
Realmente, tem muita coisa que precisa ser revista.
Beijos e sucesso

Sand Catarina

www.educrianca.blogspot.com

Iva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paula disse...

Concordo plenamente,tem coisas que infelizmente as professoras vão continuar ensinando e deixando erradas para nossos filhos.Um grande abraço e sorte........Paula Iracema - Brasília

Adriana Marques disse...

Procurando por "lembrancinhas" no Google, encontrei seu blog. Li essa postagem e fiquei tb indignada, embora eu nunca tivesse pensado nisso. Talvez pq a minha pele é branca... Mas o fato é que isso realmente precisa cair por terra, pq o preconceito já vem de muito tempo, está tão inculcado nas nossas mentes que nem percebemos. Agora fiquei curiosa: conseguiu uma providência da Faber? Não desista!

Abraços,

Adriana